Documento ‘Niterói Que Queremos 2025-2050’ estabelece metas para os próximos 25 anos
A Prefeitura de Niterói apresentou nesta quinta-feira (7) seu novo plano estratégico de longo prazo, batizado de “Niterói Que Queremos 2025-2050”. O documento, lançado em evento no Reserva Cultural, estabelece diretrizes para o desenvolvimento da cidade nas próximas décadas.
O foco principal do planejamento é em inovação, redução de desigualdades e melhoria da qualidade de vida dos moradores. O plano prevê metas para o desenvolvimento econômico, social e urbano do município até 2050.
O prefeito Rodrigo Neves destacou, durante a solenidade, que Niterói é a única cidade de médio porte no Brasil com um planejamento estratégico de longo prazo. Ele afirmou que o objetivo é construir uma agenda para os próximos 25 anos, com prioridades claras.
Entre as prioridades citadas pelo prefeito, estão a redução das desigualdades, o avanço na mobilidade sustentável e a revitalização do Centro. O plano também visa ampliar a qualidade de vida nas comunidades e fortalecer uma economia baseada em conhecimento, tecnologia e sustentabilidade.
Neves ressaltou o compromisso de transformar o planejamento em ações concretas que beneficiem a população. Segundo ele, o novo plano mantém a tradição da cidade em gestão pública eficiente e visão estratégica.
O prefeito lembrou que o plano anterior, “Niterói Que Queremos 2013-2033”, já teve 90% de suas metas concluídas. Projetos como o túnel Charitas-Cafubá, a TransOceânica, o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) e o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis foram entregues nesse período.
A estratégia anterior foi reconhecida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das melhores experiências de gestão e planejamento na América Latina. Rodrigo Neves enfatizou que Niterói mudou muito nos últimos dez anos devido a esse planejamento.
A elaboração do plano atual contou com ampla participação popular, envolvendo cerca de 15 mil pessoas. A secretária de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Elissa Rasma, explicou que o trabalho durou dez meses e envolveu mais de 20 secretarias municipais.
Foram realizadas consultas a mais de 60 especialistas e mais de 100 horas de diálogo para transformar as ideias em metas e projetos. A vice-prefeita e secretária do Clima e Sustentabilidade, Isabel Swan, destacou que o plano busca oferecer o melhor serviço à população.
Um dos principais desafios previstos no planejamento é a transição econômica do município. Apesar de Niterói ter dobrado o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, a meta é consolidar uma economia focada em conhecimento, inovação e tecnologia.
A estratégia prevê o fortalecimento do Distrito de Inovação da Cantareira e o incentivo à economia digital. O plano também apoia startups e a expansão da “economia do mar”, setor que engloba atividades náuticas, pesca, serviços e tecnologia marítima.
A transição demográfica é outra prioridade, conforme o planejamento. Niterói já possui uma população com idade média superior à brasileira, o que demandará novos investimentos em saúde, acessibilidade e serviços para a terceira idade.
O objetivo é preparar a cidade para uma realidade em que a longevidade terá peso crescente nas políticas públicas, fortalecendo ações de cuidado e prevenção em todas as fases da vida. Entre as ações previstas, estão iniciativas para a saúde pública e a qualidade de vida das famílias.
A Prefeitura busca ampliar o acesso ao saneamento básico e avançar na universalização dos serviços de água e esgoto tratados na cidade. A redução da desigualdade territorial é uma meta central do “Niterói Que Queremos 2050”, com a implantação do programa “Vida Nova no Morro”.
Essa iniciativa prevê atuação nas 83 comunidades da cidade, beneficiando mais de 150 mil pessoas com obras de infraestrutura, contenção de encostas e saneamento. O programa inclui ainda melhorias habitacionais, como reboco e pintura nas residências, e políticas integradas nas áreas de cultura, educação, saúde e segurança pública.
Para viabilizar o programa, a Prefeitura sancionou a Lei nº 4.048/2025, que autoriza acordo de cooperação e financiamento com o BID. O investimento total será de cerca de R$ 800 milhões, dos quais R$ 620 milhões virão do banco e o restante será contrapartida municipal. A Prefeitura busca ainda novas parcerias estratégicas, como com a ONU-Habitat.
Na região central, a Prefeitura aposta em um amplo processo de revitalização urbana, chamado “Reviver Centro”. O Centro de Niterói deve receber novos investimentos imobiliários, retrofit de prédios antigos e estímulo à moradia estudantil.
A expectativa é transformar a área em um novo polo de desenvolvimento econômico e residencial, fortalecendo equipamentos culturais e públicos. Segundo o prefeito, obras importantes já foram entregues, como o Mercado Municipal, a Casa Norival de Freitas e a nova Praça Arariboia.
Rodrigo Neves afirmou que a requalificação da Avenida Amaral Peixoto e da Rua da Conceição, entre outras, resgatará o coração da cidade. A mobilidade urbana sustentável é outro eixo estratégico do plano.
Projetos incluem a implantação do VLT de Niterói, com o primeiro trecho entre Barreto e Centro, e a expansão da malha cicloviária. A ciclovia conectará a Avenida Amaral Peixoto à Alameda São Boaventura.
Novos terminais integrados, como o Terminal do Caramujo, também estão previstos para reduzir a circulação de ônibus de outros municípios no Centro. A meta é diminuir em até 50% o número de ônibus que entram diariamente na cidade, reduzindo congestionamentos e impactos ambientais.
O documento completo “Niterói Que Queremos 2025-2050” está disponível no site oficial da Prefeitura para consulta pública.