Celebração reuniu milhares de fiéis e autoridades em dia de fé e emoção nas ruas do Centro da cidade.
Milhares de fiéis se reuniram nas ruas do Centro de São Gonçalo na noite desta quinta-feira (4) para a procissão que encerrou o que a Prefeitura Municipal descreveu como o maior e mais tradicional Corpus Christi da América Latina. A celebração teve início no período da manhã e foi marcada por muita fé, união e emoção ao longo de todo o dia.
A procissão ocorreu após uma Santa Missa, que começou às 16h em frente à Igreja Matriz e foi presidida pelo arcebispo auxiliar da Arquidiocese de Niterói, Dom Geraldo de Paula. O evento contou com a presença do prefeito Capitão Nelson, da primeira-dama Dona Marinete Ruas, do vice-prefeito João Ventura e de sua esposa, Karoline Ventura.
Durante a missa, o arcebispo enfatizou a relevância da celebração de Corpus Christi, uma tradição de séculos da Igreja Católica. Ele destacou o trabalho dos voluntários na confecção dos tapetes, que se estenderam por quase dois quilômetros na cidade. “Pelos tapetes, passa a Santíssima Trindade e o Deus vivo”, afirmou Dom Geraldo, segundo o comunicado da prefeitura.
O arcebispo também mencionou que a solenidade, iniciada na Bélgica, manifesta publicamente o amor a Jesus Cristo e é um momento de agradecimento pelo dom da Eucaristia. O tema deste ano, “São Francisco, modelo de amor eucarístico”, homenageia o Ano Jubilar Franciscano, que celebra 800 anos da morte de São Francisco de Assis, cuja vida de dedicação aos pobres e à criação foi lembrada por Dom Geraldo.
Para Maria das Graças Soares da Silva, de 68 anos, moradora da Brasilândia, participar da Santa Missa de Corpus Christi é uma tradição há mais de 15 anos. Ela expressou seu apreço pelo evento, afirmando que gosta muito de ver os tapetes e se sente próxima de Deus, com a intenção de continuar participando enquanto for possível.
Maria José Oliveira Martins, diarista de 66 anos do Porto Novo, participa do evento há uma década. Ela ressaltou que, faça chuva ou sol, a presença é essencial para ela. “Gosto muito do momento da comunhão na missa. Esse é meu momento de emoção, de bênçãos, de agradecer”, declarou, garantindo sua participação nos próximos anos.
A procissão finalizou a noite, percorrendo os tapetes de sal pelas principais vias do Centro. O trajeto começou na Igreja Matriz e terminou próximo ao Clube Mauá.
A confecção dos tapetes começou na manhã de quinta-feira, com a participação de mais de 230 voluntários de diversas igrejas, escolas, movimentos sociais e instituições privadas da cidade. Nem mesmo a chuva impediu a criação dos 236 tapetes, que utilizaram 50 toneladas de sal, 200 sacos de serragem, xadrez, pó de café e outros materiais decorativos.
Os tapetes, medindo 5,50m de altura por 3m de largura cada, foram montados nas ruas Coronel Moreira César, Feliciano Sodré e Dr. Nilo Peçanha, alcançando quase dois quilômetros de extensão. Ao longo do dia e até o fim da procissão, cerca de 100 mil fiéis percorreram e admiraram o trabalho artístico. A partir das 15h, louvores e o Terço da Misericórdia, com o Ministério Louva Deus, antecederam a missa e a procissão.
A celebração contou com um esquema especial de mobilização de várias secretarias municipais, incluindo Meio Ambiente e Transportes, Conservação, Ordem Pública, com equipes da Guarda Municipal, Comunicação, Saúde e Defesa Civil. Após a procissão, equipes da Conservação iniciaram a limpeza das ruas para a liberação do trânsito na mesma noite.
A importância do evento foi reforçada pela aprovação, em primeira discussão na última quarta-feira (3) pela Assembleia Legislativa (Alerj), de um projeto de lei que considera o tapete de Corpus Christi de São Gonçalo Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. O projeto, apresentado pelo deputado estadual Douglas Ruas, presidente da Alerj, passará por segunda discussão antes da sanção do governador. O tapete de sal já é reconhecido como Patrimônio Cultural e Religioso do município.