Acordo visa soberania farmacêutica e inclui cidade em programa federal para desenvolver novos medicamentos.
Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, deu um passo importante na busca pela soberania farmacêutica nacional ao receber o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Thiago Campos. O encontro, realizado na sexta-feira (8), culminou na assinatura de uma carta de intenções que integra o município ao programa “Sandbox de Cannabis Medicinal” da agência.
O objetivo central da parceria é construir um modelo para que Maricá possa pesquisar e, futuramente, produzir medicamentos à base da planta para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca reduzir a dependência brasileira da importação de remédios, já que o país adquire cerca de 90% dos medicamentos que consome no exterior.
O secretário de Saúde de Maricá, Dr. Marcelo Velho, afirmou que a cidade pretende ser uma referência. “Estamos desenhando esse caminho com a Anvisa para que Maricá apresente um modelo de produção que funcione na prática e sirva de referência. Discutir soberania farmacêutica é garantir que a nossa saúde não dependa apenas do que vem de fora, fortalecendo a tecnologia da nossa cidade”, explicou.
Durante a visita técnica, a equipe da Anvisa conheceu as instalações do Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara e as obras da Cidade da Saúde, que incluem novos leitos cirúrgicos e setores como o de hemodiálise. Acompanharam a atividade a diretora-geral da unidade, Ana Paula Silva, e os presidentes da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), Júlio César Urdangarin, e do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTIM), Cláudio Gimenez, além de Maria da Paz, coordenadora-geral de Gestão do Cuidado Integral da Secretaria de Saúde.
Para o diretor da Anvisa, Thiago Campos, a infraestrutura local é um diferencial. “Viemos buscar parcerias para apoiar o trabalho com a cannabis medicinal e encontramos aqui equipamentos de ponta. O Hospital Che Guevara é fundamental para integrarmos a pesquisa e a segurança técnica desta nova política”, destacou.
O encontro também marcou o lançamento do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI), que será responsável por organizar o atendimento aos pacientes e assegurar o acesso seguro aos futuros medicamentos ligados à cannabis medicinal. O secretário de Comunicação, Keffin Gracher, um dos coordenadores do grupo, ressaltou o pioneirismo de Maricá.
“Ao dialogar com a Anvisa e instituir este grupo, Maricá ajuda a construir um caminho regulatório e científico para a cannabis medicinal no Brasil. O país ainda depende fortemente da importação de medicamentos e insumos farmacêuticos, e discutir soberania nessa área também é fortalecer pesquisa, tecnologia e capacidade nacional de desenvolvimento. Queremos que tratamentos seguros, acessíveis e produzidos com rigor técnico cheguem à população com inovação e compromisso social”, reforçou Gracher.
A participação no ambiente de testes da Anvisa permitirá que Maricá desenvolva a produção dos insumos sob supervisão federal, garantindo que todas as etapas, do cultivo ao laboratório, sigam rigorosas normas de qualidade. A Vigilância Sanitária de Maricá também terá um papel fundamental no acompanhamento do processo, com o objetivo de consolidar um sistema que ofereça medicamentos gratuitos e seguros para a população da cidade.