Prefeito Rodrigo Neves anuncia estudos para nova etapa, visando ampliar ainda mais a circulação de navios e investimentos.
Niterói se aproxima de uma virada econômica com a dragagem do Canal de São Lourenço entrando na reta final. A obra tem como meta principal impulsionar a indústria naval, gerar novos postos de trabalho e atrair investimentos para a economia do mar. Nesta terça-feira, o prefeito Rodrigo Neves anunciou uma etapa adicional de estudos para expandir ainda mais a circulação de embarcações e fomentar o desenvolvimento na cidade.
Durante um encontro com representantes do setor naval, offshore, portuário e de petróleo e gás, o prefeito destacou a dragagem como uma estratégia crucial para a retomada econômica de Niterói. Segundo Rodrigo Neves, a intervenção, estudada desde seu primeiro mandato, é fundamental para permitir a entrada de navios de maior porte e reativar a atividade portuária e naval. A iniciativa visa recuperar uma cadeia histórica que inclui estaleiros, pesca e a requalificação do entorno da Ilha da Conceição, posicionando Niterói de forma estratégica na economia marítima.
Com um investimento de R$ 162,6 milhões, o projeto aumentará a profundidade do canal de 7 para 11 metros, eliminando uma das principais restrições operacionais da região. A expectativa é que essa melhoria na infraestrutura marítima beneficie toda a cadeia produtiva, abrangendo desde a construção naval e manutenção até a logística, serviços especializados e pesca.
O prefeito também informou sobre uma nova fase de planejamento para ampliar a dragagem. Atualmente, o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) realiza estudos técnicos que vão embasar as próximas decisões. Este novo estudo tem como objetivo guiar uma futura etapa do projeto, avaliando intervenções adicionais para otimizar a navegabilidade e a capacidade operacional do canal. A previsão é que a licitação para essa fase ocorra em 2027.
A dragagem chega em um momento vital para a reconstrução de um setor que, por décadas, foi um pilar da economia niteroiense. A região da Ilha da Conceição, historicamente um polo naval do país, sofreu um forte impacto econômico a partir dos anos 1990 devido à redução de investimentos, crises no setor de óleo e gás e perda de competitividade. Mais de 20 mil empregos diretos e indiretos foram perdidos nesse período, afetando significativamente a cidade.
O secretário executivo de Niterói, Felipe Peixoto, enfatizou que os recursos municipais estão sendo investidos porque a economia do mar é uma estratégia prioritária de desenvolvimento para a cidade. Ele ressaltou a importância da dragagem para fortalecer a indústria naval, a atividade portuária, a pesca e o apoio offshore, gerando emprego e novas oportunidades. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira Leite, complementou que a obra representa a superação de um dos principais entraves para a retomada desse segmento estratégico. Ele afirmou que o município liderou o esforço diante da crise e agora se aproxima de concretizar uma intervenção que pode transformar a base econômica local.
A Prefeitura de Niterói assumiu um papel central na viabilização do projeto, mesmo sendo a dragagem uma atribuição federal. O município financiou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) com R$ 772 mil, etapa essencial para o licenciamento. O processo incluiu análises técnicas, audiências públicas e avaliações ambientais sobre a qualidade da água, solo, ruídos e fauna marinha. Após a conclusão das obras, a Marinha será responsável pela elaboração de uma nova carta náutica para atualizar as condições de navegabilidade.
O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Domênico Accetta, considerou a finalização da dragagem um marco para o desenvolvimento econômico de Niterói. Ele destacou que a obra possibilitará o aumento de serviços, empregos e receitas, melhorando a qualidade de vida da população. Marcius Ferrari Duarte de Oliveira, da RJ Metal e vice-presidente da Firjan, sublinhou a relevância da parceria público-privada para a competitividade da indústria naval e de petróleo e gás, mencionando a atuação do Senai na qualificação profissional.
Miro Arantes, CEO do Estaleiro Mauá, que aderiu ao Refis Municipal para o setor, pontuou que cada emprego naval gera uma cadeia de empregos indiretos, fortalecendo diversos setores. Ele viu as iniciativas como um sinal de confiança no potencial de Niterói. Wilson Coutinho, representante do Porto de Niterói, celebrou a superação de uma limitação operacional significativa, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento portuário. Gisela MacLaren, do setor empresarial, expressou otimismo, destacando a importância da segunda fase da dragagem para a manutenção de empregos na Ilha da Conceição e para os negócios de óleo e gás.