Prefeito anunciou nova etapa de estudos para ampliar navegabilidade e impulsionar o setor naval e a economia local.
Niterói avança na retomada da indústria naval com a dragagem do Canal de São Lourenço, que entra em sua fase final. A obra, considerada estratégica para a cidade, visa gerar empregos, renda e atrair novos investimentos para a economia do mar. Na última terça-feira, 7 de julho de 2026, o prefeito Rodrigo Neves anunciou uma segunda etapa de intervenções, focada em novos estudos para expandir ainda mais a circulação de embarcações no complexo marítimo e fomentar o desenvolvimento.
O anúncio foi feito durante um encontro com representantes do setor naval e offshore, estaleiros, segmento portuário, empresas de apoio marítimo e do setor de petróleo e gás.
Segundo a Prefeitura, a dragagem do Canal de São Lourenço é fundamental para a recuperação econômica de Niterói. Desde o primeiro mandato do prefeito, a viabilidade da intervenção foi estudada para permitir a entrada de navios de maior porte e destravar as atividades portuária e naval da cidade. A iniciativa busca recuperar uma cadeia histórica que engloba a indústria naval, estaleiros e a pesca, com a reativação do entreposto pesqueiro e a requalificação do entorno da Ilha da Conceição.
A intervenção, que representa um investimento municipal de R$ 162,6 milhões, aumentará a profundidade do canal de 7 para 11 metros. A medida permitirá a circulação de embarcações de maior porte e reduzirá uma das principais limitações operacionais da região. A expectativa da administração municipal é que a melhoria da infraestrutura marítima impacte positivamente toda a cadeia produtiva, incluindo construção naval, manutenção, logística, serviços especializados, pesca e fornecedores.
Uma nova fase de planejamento foi anunciada para ampliar a dragagem. Atualmente, o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) conduz estudos técnicos que subsidiarão as próximas decisões sobre o complexo marítimo. Este novo estudo orientará uma futura etapa do projeto, avaliando intervenções para expandir a navegabilidade e a capacidade operacional do Canal de São Lourenço. A previsão é que a licitação para essa fase ocorra em 2027, após a conclusão dos estudos.
A dragagem chega em um momento crucial para a reconstrução de um setor que foi pilar da economia de Niterói, mas que perdeu mais de 20 mil empregos desde a década de 1990 devido à redução de investimentos, crises no setor de óleo e gás e perda de competitividade. A região da Ilha da Conceição, que já foi um dos principais polos navais do país, busca agora sua recuperação.
O secretário executivo de Niterói, Felipe Peixoto, reforçou que a economia do mar é uma estratégia de desenvolvimento para a cidade. Ele destacou que a dragagem é essencial para fortalecer setores como a indústria naval, a atividade portuária, a pesca e o apoio offshore, gerando emprego e novas oportunidades.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira Leite, a obra representa a superação de um dos principais obstáculos para a retomada desse segmento estratégico. Ele afirmou que o município decidiu liderar o esforço diante da crise, e agora está próximo de concretizar uma obra que pode transformar a base econômica da cidade.
A Prefeitura de Niterói assumiu um papel central para viabilizar o projeto, mesmo sendo uma atribuição federal. O município financiou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), com investimento de R$ 772 mil, etapa fundamental para a obtenção do licenciamento ambiental. O processo incluiu estudos técnicos, audiências públicas e análises ambientais sobre a qualidade da água, solo, ruídos subaquáticos e impactos na fauna marinha. Com a conclusão das obras, a atualização oficial das condições de navegabilidade dependerá da elaboração de uma nova carta náutica pela Marinha.
O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Domênico Accetta, considerou a conclusão da dragagem um marco para o desenvolvimento econômico de Niterói. Ele ressaltou que a obra possibilita o aumento de novos serviços, mais empregos, geração de receitas e melhoria na qualidade de vida da população.
Representantes do setor produtivo também destacaram a relevância da iniciativa. Marcius Ferrari Duarte de Oliveira, presidente da RJ Metal e vice-presidente do Conselho Regional Leste Fluminense da Firjan, apontou a dragagem como um avanço estratégico para a competitividade da indústria naval, portuária e de petróleo e gás. Ele também enfatizou a importância da qualificação profissional para a retomada do setor.
Miro Arantes, CEO do Estaleiro Mauá, que aderiu ao Refis Municipal do Setor Naval, destacou o impacto da indústria naval na geração de empregos diretos e indiretos, reforçando a confiança no potencial de Niterói. Wilson Coutinho, representante do Porto de Niterói, celebrou a superação de uma limitação operacional significativa, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento portuário. Gisela MacLaren, representante empresarial da cadeia naval, expressou otimismo quanto à continuidade das atividades industriais e à manutenção de empregos na Ilha da Conceição.