Festival gratuito de 13 a 16 de agosto no Reserva Cultural espera 30 mil visitantes com Emicida, Conceição Evaristo e Valter Hugo Mãe.
A Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026 vai reunir importantes nomes da literatura e da cultura brasileira e internacional para quatro dias de programação gratuita. O evento, que tem como tema “Territórios das Palavras” e homenageia a antropóloga, filósofa e ativista Lélia Gonzalez, acontece de 13 a 16 de agosto, no Reserva Cultural de Niterói. A Prefeitura de Niterói, realizadora do festival, informou que a expectativa é receber 30 mil pessoas.
A escolha de Lélia Gonzalez como figura central orienta toda a construção da programação. A intelectual, conhecida por desenvolver conceitos como amefricanidade e pretuguês, é uma referência incontornável do pensamento brasileiro, fundamental para entender as contribuições africanas e indígenas na formação da identidade nacional e latino-americana. Seu legado inspirará mesas de debate sobre literatura, relações raciais, feminismos, memória, educação, oralidade, diversidade, políticas culturais e formação de leitores.
Micaela Costa, presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN), ressaltou que homenagear Lélia Gonzalez é reconhecer a força de uma das maiores intelectuais brasileiras e trazer seu pensamento para o centro das conversas. “Territórios das Palavras nasce da compreensão de que toda narrativa parte de um lugar, de uma experiência e de uma história. Queremos que a festa seja um espaço na qual diferentes vozes se encontrem, sejam ouvidas e ampliem nosso olhar sobre o país e sobre nós mesmos”, afirmou.
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, destacou a importância do festival para a cidade. “A FLIN vem se consolidando como uma das mais importantes festas literárias do país, reafirmando Niterói como uma cidade que valoriza a cultura, a literatura, o pensamento e a democracia. É mais do que um evento, é um ato de valorização das nossas raízes, da nossa gente e da potência criativa das comunidades”, disse o prefeito, acrescentando que é fundamental garantir que todos tenham acesso ao conhecimento, à arte e à leitura.
A programação contará com uma galeria de grandes nomes da literatura, incluindo Emicida, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Lilia Schwarcz, Ana Maria Machado, Rosiska Darcy, Ruy Castro, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Tatiana Salem Levy e Mariana Salomão Carrara. O festival também receberá duas vozes internacionais: os angolanos Ondjaki e Valter Hugo Mãe.
Além da literatura, a FLIN 2026 dialogará com outras linguagens artísticas. A música será representada por Teresa Cristina, MC Marechal, Tati Quebra Barraco e Michael Sullivan. O teatro, a televisão e o cinema também integrarão a programação, com participações dos atores Paulo Betti, Fabiana Karla e Dadá Coelho, além da diretora Rosane Svartman.
Intelectuais, pesquisadores e comunicadores fortalecerão o debate entre literatura e sociedade. Entre eles estão Jessé Souza, Ynaê Lopes dos Santos, as jornalistas Ana Paula Araújo, Carol Raimundi e Luciana Barreto, Giovanna Heliodoro, Geni Núñez, Laura Pires e Midiã Noelle.
A pluralidade do evento se completa com novos talentos e criadores de conteúdo, como Jout Jout, Déia Freitas (do podcast Não Inviabilize), Stefano Volp, Pedro Salomão, Gabi Oliveira (do podcast Afetos), Carol Loback, Jeovanna Vieira, Igor Pires, Renata Andrade e Thaís Pontes (cocriadoras da série Encantado’s), e Carlos Ruas (das tirinhas Um Sábado Qualquer).
Nesta edição, a FLIN inaugura a articulação com a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Biblioteca Nacional, que apoiam o festival e participarão da programação. Quatorze acadêmicos da ABL estarão presentes em diferentes mesas, além de um encontro especial dedicado à Academia. Entre os esperados estão Antônio Carlos Secchin, Antônio Torres, Geraldo Carneiro, Godofredo de Oliveira Neto, João Almino, Paulo Henriques Britto e Ricardo Cavaliere.
A curadoria da FLIN 2026 é assinada por Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho, Jordão Pablo de Pão e Jackson Jacques, coordenador-geral do festival. O coletivo buscou diferentes perspectivas da literatura, da música, da pesquisa e das artes para construir uma programação que dialoga com o Brasil contemporâneo.
Com entrada totalmente gratuita, tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a FLIN reafirma seu compromisso com uma cultura pública, democrática e acessível. A edição de 2026 também promoverá ações voltadas à formação de leitores, receberá estudantes da rede pública de ensino e desenvolverá iniciativas de sustentabilidade, reforçando seu papel como política cultural de fomento à leitura e à circulação de ideias.
A FLIN 2026 conta com patrocínio da Águas de Niterói e apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Academia Brasileira de Letras (ABL), da Biblioteca Nacional e da Ecovias Ponte. O evento será realizado de 13 a 16 de agosto, no Reserva Cultural Niterói, localizado na Av. Visconde do Rio Branco 880, em São Domingos.