Prefeitura usou drones e fez 27 demolições em três anos para proteger áreas verdes e ordenar o crescimento.
A Prefeitura de Niterói intensificou o combate a ocupações irregulares na cidade, registrando mais de mil ações de fiscalização e quase 700 operações integradas nos últimos três anos. A estratégia, que utiliza drones e geoprocessamento, resultou em 27 demolições de construções ilegais até maio de 2026.
O trabalho é coordenado pelo Grupo Executivo para o Crescimento Ordenado e Preservação das Áreas Verdes, Gecopav, vinculado à Secretaria Municipal de Ordem Pública. O objetivo é preservar ecossistemas sensíveis e garantir um crescimento urbano planejado e sustentável.
Segundo o prefeito Rodrigo Neves, Niterói tem investido em tecnologia, inteligência territorial e integração entre órgãos para proteger suas áreas verdes. Ele ressaltou que a iniciativa visa assegurar qualidade de vida para a população, sendo um trabalho contínuo.
Criado em 2016, o Gecopav reúne equipes de diversas secretarias, como Ordem Pública, Urbanismo, Meio Ambiente, Defesa Civil e Assistência Social. Essa integração permite respostas rápidas e coordenadas frente ao avanço de construções irregulares.
O grupo também colabora com o Ministério Público, realizando vistorias, operações conjuntas e elaborando relatórios técnicos. Esses documentos subsidiam processos administrativos e decisões judiciais relacionadas ao ordenamento urbano e à proteção ambiental.
O secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas, destacou que o trabalho do Gecopav é pautado em planejamento, inteligência e integração. Conforme explicou, a meta é impedir o avanço de ocupações sobre áreas protegidas, com a tecnologia sendo uma aliada para monitoramento e decisões precisas.
As ações do Gecopav vão além das demolições. Elas começam com a análise de denúncias e o monitoramento constante do território. Em seguida, são feitos levantamentos técnicos, vistorias, registros fotográficos e cruzamento de informações georreferenciadas antes da definição das medidas cabíveis.
A tecnologia desempenha um papel fundamental nessa estratégia. Por meio da Divisão de Aeronaves Não Tripuladas, Dant, a Prefeitura ampliou a capacidade de monitoramento. Drones identificam ocupações, acompanham áreas sensíveis e geram provas técnicas para processos.
Ferramentas de geoprocessamento e monitoramento georreferenciado também foram implantadas. Elas permitem identificar regiões com maior incidência de irregularidades, orientando o planejamento operacional e fortalecendo as ações preventivas.
Entre 2023 e maio de 2026, o Gecopav realizou 1.064 verificações preliminares para analisar denúncias. No mesmo período, promoveu 689 operações conjuntas com órgãos municipais e estaduais e executou 27 operações de demolição.
Os indicadores mostram uma intensificação das ações. Em 2023, foram 291 verificações preliminares, seguidas por 254 em 2024 e 317 em 2025. Somente entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 202 verificações.
As operações integradas também cresceram, com 227 ações em 2023, 66 em 2024, 292 em 2025 e 104 nos cinco primeiros meses de 2026. As demolições se intensificaram a partir de 2025, com 15 operações, e mais 12 executadas até maio de 2026.
Os levantamentos territoriais indicam que a maior parte das ocorrências se concentra na Região Oceânica, em localidades como Itaipu, Piratininga, Engenho do Mato, Serra Grande e Pendotiba. Outras áreas de expansão urbana também recebem acompanhamento constante.
Um exemplo recente de atuação é o monitoramento da Lagoa de Piratininga. Uma operação conjunta identificou um terreno usado irregularmente para descarte de entulho às margens da lagoa, no Tibau. A ação resultou na retirada de dois caminhões de resíduos e no registro da área para as medidas administrativas.