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Rodrigo Neves e grandes nomes marcam terceiro dia da FLIN 2026

O terceiro dia da FLIN 2026 em Niterói teve o prefeito Rodrigo Neves debatendo a fusão do Rio de Janeiro, além de Conceição Evaristo e Ana Paula Araújo.

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16/08/2026 12:01

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Público acompanha debate na FLIN 2026 com o prefeito Rodrigo Neves e Christian Lynch em Niterói.
Rodrigo Neves participa de debate sobre a fusão do Estado do Rio de Janeiro no terceiro dia da FLIN 2026. Foto: Lucas Benevides / Prefeitura de Niterói. – Foto: Reprodução

Prefeito de Niterói debate fusão do Rio; Conceição Evaristo, Ana Paula Araújo e Simas também participam.

O terceiro dia da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN 2026), neste sábado (15), foi marcado pela participação do prefeito Rodrigo Neves em um debate sobre os 50 anos da fusão do Estado do Rio de Janeiro. O evento também reuniu grandes nomes da cultura e do pensamento brasileiro, como a escritora Conceição Evaristo, o historiador Luiz Antônio Simas e a jornalista Ana Paula Araújo.

Um dos pontos altos da programação foi a mesa “Fusão Autoritária e o Futuro do Rio de Janeiro”, que contou com a presença do prefeito e do cientista político Christian Lynch. Eles analisaram os impactos da união dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, ocorrida em 1975 durante a ditadura militar.

Conforme destacado pelos debatedores, a medida foi imposta sem consulta popular e provocou o esvaziamento político e econômico de Niterói. Além disso, a fusão resultou em um apagamento da memória e da identidade fluminense, segundo a Prefeitura.

O prefeito Rodrigo Neves ressaltou que Niterói “não ficou chorando pelos cantos e se reinventou”. Ele afirmou que, embora a cidade tenha deixado de ser a capital do estado, hoje ela é reconhecida como “capital da boa gestão, da democracia e da qualidade de vida do país”.

Neves defendeu que o modelo de gestão de Niterói é replicável, enfatizando a necessidade de trabalhar com evidências e planejamento para construir uma resposta à crise do Rio de Janeiro, pensando a partir da Região Metropolitana.

Christian Lynch contextualizou a fusão como uma decisão autoritária do governo federal. Ele apontou que a medida resultou no esvaziamento da economia e da política de Niterói, além de promover uma “carioquização” da memória regional em detrimento da identidade fluminense.

“Niterói tem uma história própria, tem uma identidade própria. Ela não é carioca. É uma outra coisa”, reforçou Lynch, destacando a distinção da identidade fluminense.

A programação do sábado começou com a jornalista Ana Paula Araújo, que abordou a violência de gênero com base em seus livros-reportagem “Abuso” e “Agressão”. Ela enfatizou a importância de dar voz às vítimas, combater a culpabilização das mulheres e ampliar o debate sobre as diversas formas de violência.

“Não se trata de obrigar ninguém a denunciar, mas de proporcionar a possibilidade de falar, de dar espaço para que uma vítima consiga falar, consiga ser ouvida e consiga não ser julgada”, explicou a jornalista.

Em outra palestra, o historiador Luiz Antônio Simas discutiu a rua como espaço de cultura, encontro e “reexistência”. Simas pontuou que manifestações populares como o carnaval, o futebol de várzea e as religiosidades tradicionais desafiam processos históricos de exclusão e violência urbana no Brasil, funcionando como redes essenciais de pertencimento e preservação de saberes coletivos.

“A gente faz festa não porque a vida seja boa, mas pela razão inversa. Não é boa. E aí como é que você lida com isso? Festeja”, afirmou Simas.

A literatura e a memória também emocionaram o público no Palco Territórios, durante a mesa “Escreviventes”, com a escritora Conceição Evaristo e a autora Eliana Alves Cruz. Conceição revisitou sua infância e homenageou a sabedoria das mulheres de sua família, destacando o afeto, a curiosidade e o acesso à educação como pilares de sua trajetória.

As autoras reafirmaram a escrita como um poderoso instrumento de resistência, identidade e valorização das vivências negras e femininas na literatura brasileira. “As mulheres da minha família, sem sombra de dúvida, foram elas, na sabedoria delas, sem nenhum diploma, que me trouxeram até aquilo que sou”, relembrou Conceição Evaristo.

O poeta e cronista Fabrício Carpinejar atraiu o público com a palestra “Transformação pelo afeto: que ninguém seja invisível ao seu lado”. Carpinejar compartilhou histórias sobre afeto, autoconhecimento e a importância de enxergar o outro.

Ao longo do sábado, a FLIN ofereceu atrações para diversos públicos. O Espaço Nikitinhos recebeu contação de histórias e o encontro dos criadores da série infanto juvenil “As Aventuras de Mike”, Gabriel Dearo e Manu Digilio. A Arena FLIN teve debate sobre colecionismo e acervos literários com João Almino e Antônio Carlos Secchin, além de um painel sobre o acolhimento ao luto.

A Sala Nelson abrigou a palestra do sociólogo Jessé Souza sobre os desafios da reparação histórica e um debate com Fátima Guedes e Teresa Cristina sobre a autoria feminina na música popular brasileira. Painéis sobre representatividade na dramaturgia e diversidade LGBTQIAP+ também mobilizaram os presentes.

A programação noturna foi encerrada com atrações culturais, incluindo encontros de poesia com Igor Pires e Pedro Salomão, debate sobre processos criativos e humor com Marcelo Adnet e Edu Krieger, o tradicional Sarau Corujão da Poesia e a aguardada Batalha do Conhecimento, comandada por MC Marechal e Leall no Palco Lélia Gonzalez, celebrando o hip-hop com rimas focadas em consciência social, política e cultural.

A FLIN 2026 será encerrada neste domingo (16) com uma grande celebração da literatura e das artes, tendo como destaque a participação da atriz e escritora Fernanda Torres.

Realizada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), esta edição tem como tema “Territórios das Palavras” e homenageia a antropóloga e ativista Lélia Gonzalez. Toda a programação é gratuita e aberta ao público, consolidando o evento como um dos maiores e mais importantes festivais literários do país, segundo a organização.